Arquivo mensais:outubro 2012

Sonho encaminhado

Por: Mayra A.

Desde pequenininha, lembro de falar que queria ter 4 filhos. Não me perguntem de onde tirei este número cabalístico pois eu não saberia dizer… E nem de onde tirei a coragem, já que, haja o que houver, terei esta responsabilidade quádrupla para sempre.

Tem pessoas que não querem nem ter filho, nem umzinho… Por que eu sou assim tão exagerada?

Pensando bem sou exagerada em tudo… Tudo na minha vida é 8 ou 80. Sou super decidida e intensa em tudo que eu faço. Se isso é uma qualidade… Não sei. Diria que é uma característica.
Com certeza ser “na média” daria menos trabalho. Já cheguei a pensar assim. Quando fiz terapia há alguns anos atrás, cheguei com a vontade de ser mais “na média” e já na primeira sessão ouvi o seguinte: “Vamos ver se você QUER mesmo ser diferente…” Que terapeuta sábia esta. Um ano e meio depois estava eu lá, me dando alta dizendo que agora que me conhecia melhor, pensando bem, eu não queria ser nada diferente.

Voltando aos filhos. Eu sempre quis uma mesa gigantesca de almoço, sabe? Tipo interior da Italia mesmo, com filhos em profusão. Acho que isso vem dos almoços de domingo na casa dos meus avós, com todos os tios e primos em volta da mesa. Depois tive o privilégio de conviver com os avós do meu marido, que tiveram 7 filhos, incontáveis netos e bisnetos, além da casa sempre cheia e alegre.

Eu adoro bagunça. Não bagunça de coisas, isso não, mas bagunça de gente… Barulho de gente… Até barulho de derrubar algo no chão não me incomoda.

Eu sempre tive a impressão que se eu não tivesse os 4 filhos, teria algum me esperando esquecido, em algum lugar.

Agora junte a este sonho uma estabilidade financeira – porque sem isso não daria mesmo! – e um marido animado, otimista e meio doidinho que nem eu… Já viu, né? Rs

Tem uma parte da história que vale a pena mencionar… Quando a Julia tinha meses e o Pedro 2 anos, eu e o Dé fizemos um combinado: dois estava bom demais… Já estávamos enlouquecidos o suficiente. Chegamos até a assinar um papel e guardar no cofre, caso um dos dois tivesse a idéia “maluca” de mudar de idéia.

Julia e Pedro cresceram… E como a vontade era maior do que a preguiça veio o querido Francisco. Sou vó deste terceirinho. E agora tem mais um bebê a caminho! Como será?

Amo todos vocês: primeiro o meu marido André, depois o Pedro, Julia, Francisco e o/a mini vocêzinho de 2 cm. Só de ter conhecido vocês já valeu a minha vinda a este mundo.

Só tenho a agradecer. Agradecer demais. Estou completamente feliz e pronta para este lindo desafio.

“I never said it would be easy, I only said it would be worth it.”  Mae West

 


Comentários :

Comente

Adorei este texto que li hoje!

Por: Mayra A.

A mensagem que fica deste texto é a que já levo como verdade e lema de vida: não conseguirei e nem preciso agradar a todos. Nem meus filhos, nem meus amigos, meus familiares, colegas de trabalho e etc. Se todos pensassem assim e tivessem uma expectativa realista dos outros e da vida seria tudo mais fácil, não acham?

Para pensar… Segue o texto.

PERMITA-ME SER IMPERFEITA!

Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, cuido de quem vive comigo, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros…
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos, livros, roupas, etc.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias..
Cinco dias!
Tempo para uma massagem..
Tempo para ver a novela.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Tempo para existir
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.

Martha Medeiros – Jornalista e escritora


Comentários :10

Comente