Arquivo mensais:abril 2014

O Café da Manhã é o Rei?

Por: Priscila Maximino

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É bastante comum em nossa sociedade a valorização do café da manhã sendo divulgado como o principal e o mais importante evento alimentar do cotidiano das pessoas. Tanto no conteúdos midiáticos quanto populares há constante propagação de fórmulas dietéticas, receitas e alimentos relacionados ao café da manhã, que quando consumidos nesta refeição fornecem benefícios ditos extraordinários, testados e empiricamente comprovados.

A presença ou ausência do fracionamento das refeições ao longo do dia é motivo de diversos estudos e investigações científicas que buscam encontrar associações entre o número de eventos alimentares e o balanço energético e nutricional da população. Alguns estudos no Brasil e no mundo têm sugerido que a alimentação logo nas primeiras horas do dia pode reduzir ou controlar melhor a ingestão energética durante o restante do dia, favorecendo o controle do peso saudável.

O estudo recente de Leah Cahill e colaboradores do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard, em Boston, analisaram a frequência da alimentação e monitoraram as condições de saúde de 26.902 homens durante 16 anos (1992 e 2008), com idades entre 45 e 82 anos. Os homens que não tomavam café da manhã tinham um risco 27% maior de desenvolver doenças cardiovasculares.

Outro estudo realizado na  Universidade de Umeå, na Suécia, e publicado na Public Health Nutrition reforça ainda mais a associação do café da manhã e fatores de risco a saúde na população. A pesquisa associou a presença de um café da manhã pobre com maior incidência de síndrome metabólica 27 anos depois. Esta pesquisa começou em 1981, com 889 voluntários quando foi realizado um questionário sobre o que eles comiam no café da manhã. Depois de 27 anos os mesmos pesquisados foram submetidos a exames clínicos para investigação dos componentes da  síndrome metabólica: obesidade central definida como circunferência da cintura maior que 80 cm para mulheres e 94 cm para homens associado a dois ou mais dos quatro componentes a seguir: aumento triacilgliceróis, HDL-c reduzido, aumento da pressão arterial, aumento da glicemia em jejum ou diabetes tipo 2.

O estudo mostrou que 9,9% dos jovens não costumavam tomar café da manhã ou tinham uma refeição pobre (só bebiam uma bebida doce ou comiam algo doce como biscoitos ou cookies). Estes tiveram uma incidência 68% maior de síndrome metabólica quando adultos.

Sendo a presença do café da manhã relacionada ao melhor índice de qualidade de dieta e melhor atividade física, esta prática deve ser reforçada e estabelecida ainda na infância se possível, dentro de casa com as famílias.

Extrapolando para todas as fases de vida aplica-se então a crença popular, cada vez mais científica, de que comer mais cedo no dia permite que o corpo esteja em equilíbrio para metabolizar calorias durante o restante do dia e assim ter um estilo de vida mais saudável. O café da manhã pode continuar como “sua majestade” e que seja recheado de prazer, sabor, texturas diferentes com alimentos frescos, integrais e coloridos: ele merece!

Priscila Maximino é especialista em nutrição infantil. Autora do livro Guia Descomplicado da alimentação Infantil, é pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil PENSI – Hospital Infantil Sabará.


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Bolo de casca de banana

Por: Mayra A.
bolo de casca de bananaReceita desenvolvida exclusivamente para Escolinha Walita, foto Carol Milano

Ingredientes

massa:
3 xícaras (chá) de farinha de rosca
4 cascas de banana nanica
1 colher (sopa) de fermento em pó
2 ovos
2 colheres (sopa) de manteiga
3 xícaras (chá) de açúcar
2 xícaras (chá) de leite
manteiga ou margarina para untar

cobertura:
04 bananas nanicas
01 xícara (chá) de açúcar
½ xícara (chá) água
½ limão

Modo de preparo

massa:
Lavar muito bem as bananas em água e descascar. Reservar as cascas para a massa.
Em um recipiente, bater as claras em neve e reservar em geladeira.
Bater o leite com as cascas de banana no liquidificador e reservar.
Bater bem em batedeira ou batedor, o açúcar com a manteiga até ficar cremoso, depois juntando as gemas uma a uma sem parar de bater.
Adicionar o leite batido e depois acrescentar aos poucos a farinha de rosca.
Por último, misturar delicadamente com uma espátula o fermento com as claras em neve na mistura.
Colocar em assadeira untada (com manteiga ou margarina) e enfarinhada e assar em forno médio (200ºC) preaquecido por 35 minutos aproximadamente.

cobertura:
Aquecer o açúcar e a água até formar um caramelo.
Juntar as bananas cortadas em rodelas e o limão.
Cozinhar por 05 minutos.
Cobrir o bolo ainda quente.

Rendimento: 10 – 12 porções
Dificuldade: Médio
Tempo: 1 hora


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App Lanchinho Legal

Por: Mayra A.

O App Lanchinho Legal busca melhorar a qualidade do lanche das crianças.
O projeto é idealizado por Mayra Abbondanza e tem como consultora técnica a nutricionista Priscila Maximino.
Nele a criança escolhe o lanche da semana, de maneira divertida e educativa, e recebe o menu e lista de compras, sendo convidada a prepará-lo diariamente com sua família. A metodologia inovadora do projeto enxerga a alimentação pela ótica das crianças e aposta, principalmente, na interação e vínculo da criança com todo o processo da alimentação.
O app está disponível gratuitamente para download nas plataformas IOS e Android.

Abaixo um pouquinho de como tudo começou, quando em 2014 fizemos um evento na Casa Electrolux com a presença da queridíssima Dra. Ana Escobar.


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Programa Papo de Mãe – TV Brasil – 03/14

Por: Mayra A.

PAPO DE MÃE SOBRE ALIMENTAÇÃO

Seu filho come bem? Como é a relação dele com a comida? É papel dos pais educar os filhos, colocando limites nos horários para comer e nas opções de alimento que entram em casa. Mas, muitas vezes, por mais que se tente fazer tudo certinho, muitas dúvidas acabam surgindo e nem sempre os filhos comem bem.
Neste programa, Mariana Kotscho e Roberta Manreza recebem convidados para um papo sobre Alimentação.


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Blog Dican Brinquedos – 03/14

Por: Mayra A.

Brincando na cozinha
Por: Vanessa

Garantir a alimentação saudável dos filhos é um dos papéis mais importantes dos pais. Cabe a eles incentivar e ensinar os baixinhos a comerem de tudo, especialmente verduras, legumes e frutas.

No entanto, com um mundo repleto de guloseimas, nem sempre é tarefa fácil garantir que o pequeno fiquem bem alimentados. Mas há uma solução para isso: levar o baixinho para a cozinha e despertar nele um apetite mais saudável…brincando!


Já pra cozinha!
A coisa mais comum nos lares de todo o mundo é ver a criançada fora da cozinha esperando pelo café da manhã, almoço ou jantar. É como se aquele lugar onde ocorrem as transformações dos alimentos fosse proibido para esses pequenos cidadãos.

Como vimos recentemente, trata-se de um lugar perigoso quando o pequenino está sozinho. Entretanto, quando está acompanhado dos pais, ele poderá descobrir  uma série de coisas que vão abrir seu apetite para um mundo de novos sabores.

E não tem idade certa para isso, especialmente se o ato de cozinhar se transformar numa rotina familiar, destaca a nutricionista Priscila Maximino. “A criança pode se envolver no ambiente alimentar desde os primeiros meses, como, por exemplo, enquanto a mãe está fazendo um suco de laranja , ela pode brincar com a fruta”.

O fato é que pouco a pouco o pequenino vai compreendendo a importância de participar do cozimento dos alimentos  e de como essas refeicões ajudam no seu desenvolvimento. “Quanto maior a idade, também será maior a capacidade de aprendizado, desde que os conceitos sempre sejam adaptados à linguagem dela. O que não significa infantilizar o tema. Temos de deixar mais objetivo, pois assim a criança conseguirá absorver grande parte daquilo que foi ensinado”, garante a nutricionista.

De acordo com a engenheira de alimentos e chef de cozinha Mayra Abucham, para conseguir que os baixinhos se alimentem bem, elas tem de comprar essa ideia. Mas como fazer isso?

É simples: a criança tem de participar do processo e saber o que vai encontrar na lancheira ou no prato na hora de uma refeição.  “Os adultos tratam a criança como um ‘café com leite’, mas na verdade elas devem ser tratadas como crianças, ou seja, como um pequeno ser humano que pensa, tem preferências e ideias”, destaca a chef.

Aprendendo a comer
Se o pequenino não tem a prática de acompanhar a produção das refeições juntos com os pais desde ainda bebê, ao decidir implantar essa prática na vidinha dele lembre-se de não transformar este ato em algo especial. É importante que seja adicionado na rotina familiar como mais uma tarefa que farão juntos.

“O ideal não é convidar a criança para fazer um bolo no dia do aniversário dela, mas pedir para que ela coloque a mesa, tire a mesa, ajude a escolher o tempero de uma salada ou os ingredientes dela como parte de uma rotina. As pessoas precisam entender que dá para envolver as crianças nas coisas mais simples e isso é muito mais legal”, explica Mayra Abucham.

Priscila Maximino lembra que, se a inclusão deste hábito ocorrer quando ela tiver maiorzinha, esse será um processo de adaptação, diferente daquele que já cresceu nesse ambiente. Então, tenha paciência com o pequenino!

O importante disso tudo é que a participação dele na preparação dos alimentos terá um impacto positivo. “Tem o aprendizado, o vínculo com o alimento e com a família e, claro, a exposição a novos alimentos, que é um fator importante para diminuir a resistência da criança a eles”, ressalta a nutricionista.

A chef indica a montagem de uma salada como um bom início para os baixinhos principiantes na arte da cozinha. Afinal, ele pode rasgar as folhas com as mãozinhas, jogar a cenoura ralada por cima ou mesmo arrumar a salada. São coisas simples que não expõem os pequenos ao perigo do uso de utensílios cortantes e  que vai ajudá-los a se sentirem incluídos nessa tarefa.

Mas um alerta! Mamães e papais não resistam a essa ideia com medo da “bagunça ou sujeira” que a criançada pode fazer. Lembrem-se dos benefícios de tudo isso e de como esse novo projeto pode acabar em brincadeira. “Tenho certeza de que as crianças adoram ter tarefas, então se você falar: ‘olha a gente vai cozinhar mas depois vai limpar tudo’ e dar um paninho para os pequenos, eles vão adorar limpar também”, explica Mayra.

Sem enrolação
O essencial é que a inclusão dessa rotina no dia a dia das crianças aconteça de uma forma natural, sem forçá-la a participar ou a comer determinado alimento.

Outra coisa importante é evitar comparações do tipo “seu amiguinho como tal coisa, porque você não come também”. A criança deve ser respeitada de acordo com seu grau de consciência. Por isso, nada também de esconder determinado alimento dela. “A regra básica é começar apresentando os alimentos, o que não significa que a criança vai comer. Mas este é o início do processo”, ressalta Priscila.

Mayra cita o exemplo que usou com sua filha. “Ela não gosta de feijão. Então, todo primeiro dia do mês eu fazia com que experimentasse esse alimento novamente. Depois de algum tempo ela aprendeu a gostar naturalmente, sem pressão”.

E também não adianta nada tentar fazer seu filhote se transformar num sabe tudo sobre os alimentos, querendo ensinar que isso é bom para aquilo. A nutricionista diz que esse tipo de informação deve ser comedida, pois a criança tem uma certa capacidade de cognição para assimilar esses conceitos. “A ideia é usar um conceito técnico, de que aquilo vai fazer bem, desde que adequado à realidade dela como, por exemplo, se a criança já tem idade para jogar futebol, a mãe pode dizer ‘filho, se você comer este pãozinho integral, vai ter muito mais energia para fazer o gol'”, garante.

Para a nutricionista, o ideal é sempre adaptar esses ensinamentos de forma lúdica, citando exemplos. Porque, dessa maneira, a criança não será enrolada e terá mais confiança nos pais quando eles oferecerem a ela um alimento saudável.

Seguindo essas dicas, certamente, será o fim do choro e da cara feia na hora de comer, transformando as refeições numa verdadeira diversão!

Priscila Maximino é nutricionista. Mayra Abbondanza Abucham é engenheira de alimentos e chef de cozinha. Ambas participaram do quadro “Meu filho não come”, do programa “Bem Simples”, da Rede Globo.

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Portal Terra – 03/14

Por: Mayra A.

Faça seus filhos comerem melhor com 5 dicas de especialista

 

 

Mayra Abucham esta à frente do projeto Dedinho de Moça, uma consultoria de alimentação infantil Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Mayra Abucham esta à frente do projeto Dedinho de Moça, uma consultoria de alimentação infantil
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

 

Fazer os filhos comerem coisas saudáveis nem sempre é uma tarefa fácil: a quantidade de tentações industrializadas e coloridas nas gôndolas do mercado e a falta de tempo para o preparo de coisas mais naturais são alguns dos principais empecilhos.

 

Mas a partir do momento que isso se torna uma prioridade, é possível mudar. Leva tempo, exige dedicação, mas tem solução. Quem garante é a engenheira de alimentos e chef Mayra Abucham, que participou recentemente do quadro Meu Filho não Come, do programa Bem Estar.

 

Ela também está à frente do projeto Dedinho de Moça, consultoria em alimentação infantil, que já atendeu cerca de 500 famílias em busca de melhores hábitos neste campo. Segundo a especialista, as famílias que têm filhos tendem a ficar mais abertas para a mudança. “Mudar é difícil, mas os pais querem oferecer um bom exemplo, querem dar uma oportunidade para as crianças em todos os sentidos. E a alimentação é uma delas”, observa.

 

Mayra ressalta que o primeiro passo para convencer as crianças a terem uma alimentação mais saudável é envolvê-las no processo. “Desde conhecer os ingredientes no supermercado, na feira ou na horta, até saber o que está indo na lancheira da escola”, indica.

 

 

Mas engana-se quem pensa que isso significa dar exatamente o que a criança quer. A chave principal, segundo ela, está no conhecimento dos pais. “Pais instruídos e orientados conseguem direcionar as crianças para fazerem escolhas dentro do que eles acham aceitáveis, sem muito radicalismo. Com equilíbrio, tudo pode”, pontua.

 

Criança não é café com leite
Mayra defende que os pais incluam os filhos nas decisões relacionadas à cozinha da casa. “Criança não é café com leite, ela não vai sentar lá simplesmente e comer o que eu der”, afirma. Ela recomenda a participação das crianças inclusive no preparo. “Filho, vamos fazer um macarrão, me ajuda a mexer o molho, me ajuda a por a mesa? Essa salada, que tem alface e tomate, o que a gente pode fazer para ela ficar diferente? O que você tá com vontade de comer? Será que um pedacinho de queijo vai ficar legal? E aquele ovo de codorna que você comeu na casa da sua vó?”, indica.

 

Segundo ela, muitos pais não sabem que as crianças estão preparadas para interagir neste assunto. “As crianças adoram receber tarefas. Os pais ficam pensando, ‘vou chamar as crianças aqui vão fazer uma zona, não tenho tempo’. Mas não é verdade, a criança pode te ajudar a limpar, inclusive”, pontua.​

 

Para a especialista, incluir as crianças nas decisões relacionadas à alimentação é uma forma de conseguir bons resultados Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Para a especialista, incluir as crianças nas decisões relacionadas à alimentação é uma forma de conseguir bons resultados
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

 

Vilões da má-alimentação
A especialista não concorda em culpar os pais pela má-alimentação de algumas crianças. “Eles  sempre fazem o melhor que eles podem. Mas é uma questão de informação que não chega nas famílias”.

 

Mas um dos principais problemas citados por ela é a expectativa que os próprios pais colocam sobre a relação dos filhos com a comida. “Os pais querem que as crianças comam muito, porque eles estão ausentes ou porque eles não têm informação.O tamanho do estômago de uma criança é o tamanho da mãozinha dela fechada. Aí os pais querem que as crianças façam aquele pratão, que repita, que coma de novo, que raspe o prato”, analisa.

 

Este hábito, segundo Mayra, acaba trazendo um segundo problema, que está ligado à capacidade de a criança conhecer seu próprio limite de saciedade. A partir do momento que sempre é forçada a comer mais, acaba perdendo este referencial.

 

No caso das crianças que comem muito pouco, os pais tendem a tentar suprir este déficit com iogurtes, chocolates ou outros itens mais atrativos. E o ciclo dos maus hábitos se inicia – já sabendo que vai ganhar algo mais apetitoso se não comer o prato saudável, a criança não tem por que comer na próxima refeição. “É uma questão movida pela expectativa errada dos pais.

 

Link para a matéria completa: http://migre.me/iCrTx


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Portal Terra – 03/14

Por: Mayra A.

Mostarda de Dijon, melaço de agave, flores comestíveis e anis estrelado podem parecer ingredientes pouco populares, restritos a uma parcela da sociedade disposta a pagar um preço alto por um prato de qualidade.

Mas o cenário, neste caso, é outro: direto da favela do Heliópolis, a cozinheira Thabata Neder ensina técnicas de culinária a donas-de-casa atentas, participativas, e muito dispostas a incorporarem novos hábitos alimentares em suas próprias cozinhas.

Em uma tarde chuvosa, uma plateia predominantemente feminina, de cerca de 30 pessoas, aprendia informações e dicas sobre alimentação consciente, saudável e sem desperdício. O fato de a aula ser ministrada em uma comunidade desfavorecida socialmente não impediu a profissional de escolher o uso de itens mais sofisticados para o preparo das receitas. “Não importa se estou na favela ou não. Eu estou aqui para dar a vez para o aluno”, afirma.

Adna Cristoni que levou as colegas da ong AMAI para conhecerem a aula. “Muitas coisas a gente acha que é requintado, mas dá para ver que é possível mudar alguns ingredientes, sem gastar muito, como o melaço de agave e o óleo de amendoim”, comemorou.

E a adesão foi total. Uma das participantes, Samantha Baggi, 33, assistiu a aula com mais nova das três filhas, Marina, de 1 ano e 2 meses. Moradora do Heliópolis há 22 anos, disse que pretende incorporar os novos ingredientes à sua rotina. “É interessante o curso porque ensina uma alimentação completa, com um baixo custo. Eu não uso açúcar branco em casa, por exemplo, e vou começar a comprar o melaço principalmente pensando nas minhas crianças”, disse. “Quero me dispor a ter uma variedade maior de alimentos em casa”, concluiu.

O melaço a qual se refere custa cerca de R$ 17, segundo a própria professora, que mostrou a etiqueta com o preço para as alunas. O valor agregado ao produto não tem a ver diretamente com o preço, mas sim com seu valor nutricional e benefícios à saúde, quando comparado aos adoçantes ou açúcar tradicional.

Projeto traz dicas sobre alimentação saudável e sem desperdício Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Projeto traz dicas sobre alimentação saudável e sem desperdício
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

Outra que ficou fã da novidade foi Adna Cristoni, da organização não-governamental AMAI (Associação dos Missionários do Alto do Ipiranga), que levou as colegas da instituição para conhecerem a aula, e replicarem na ONG. “Muitas coisas a gente acha que é requintado, mas dá para ver que é possível mudar alguns ingredientes, sem gastar muito, como o melaço de agave e o óleo de amendoim”, comemorou.

A aula faz parte do projeto Escolinha Philips Walita, em parceria com o Magazine Luiza, que montou uma cozinha experimental em sua loja virtual localizada bem no meio da comunidade. Quem ministra as aulas é a equipe do projeto Dedinho de Moça, formada por chefs de cozinha e nutricionistas, que busca ampliar a qualidade de vida das famílias com foco em hábitos saudáveis e alimentação saborosa.

Segundo Luiza Helena Trajano, que é presidente da rede Magazine Luiza e esteve presente na aula inaugural do curso, realizada na quarta-feira (12), o projeto deve ficar durante um ano no Heliópolis e, se der certo, será ampliado para outras comunidades. “A ideia é oferecer um processo educativo, incluindo higiene, economia e saúde, além de ensinar as pessoas a diminuírem a quantidade de lixo e o aproveitamento dos alimentos”, ressaltou.

Alimentação consciente
Quando o assunto é alimentação consciente, o buraco é mais embaixo e vai além do preço – o custo benefício tem a ver não só com o valor da comida, mas também com a forma como ela vai ser integralmente aproveitada; com o sabor, primoroso, com a qualidade e com a importância que o tema toma dentro de casa.

E é por isso que Thabata abre a aula com uma das frases que define o curso: “nada de receita, tudo na técnica”. Segundo ela, mais importante do que seguir um roteiro de ingredientes, é preciso conhecer os processos para que a pessoa se aproprie definitivamente do que vai comer e servir para seus familiares.  “Uma das saídas para a fome é aprender a cozinhar”, afirma.

Segurando um caju, ela questiona: “você não pagou pela pele? Então, quando você joga a pele, são suas moedinhas indo embora. Agora, se você bate no liquidificador com água, vira suco. Se cozinhar com açúcar, vira geleia”.

Neste dia foram feitas, em uma hora, três receitas, que você poderá ver ao pé desta matéria: caçarola de linguiça com milho, manteiga de amendoim e caju cozido em calda. O tema era “sazonalidade”.Ai, que palavra difícil, né gente?”, brincou a professora, logo explicando que o conceito nada mais é do que o produto da época, “bom para a gente comprar, porque é mais gostoso e mais barato”.

Thabata conta também que o curso também segue a temática da sustentabilidade. “Priorizar o alimento local, pensar em um comércio justo, enfim, tudo o que ronda um  mundo melhor.”

Samantha Baggi assistiu à aula com a filhinha e pretende incorporar novos ingredientes ao cardápio 
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

De acordo com a especialista, a maior constatação relacionada às primeiras impressões sobre o curso tem a ver com o interesse pelo que realmente é comida, “o que vem da natureza, o que vem da indústria. Não tem a ver com grau social. A maioria das pessoas ricas que eu conheço nem sabem o que estão comendo”, finaliza.

Pequenos comilões
Com a conscientização promovida pelo curso, a ideia das educadoras é também ver reflexos positivos na alimentação das crianças da comunidade. A engenheira de alimentos e chef Mayra Abucham é quem está à frente do Dedinho de Moça. Focada na consultoria em alimentação infantil, participou recentemente do quadro Meu Filho não Come, do programa Bem Estar.

Sobre o curso, ela reforça que a abordagem é mais abrangente e vai desde o uso da energia até a maneira como que os pais se relacionam com os filhos na hora do almoço. “Não é a receita que faz a diferença, e sim, todo este conjunto”.

Segundo ela, mais importante do que falar sobre comida de bebê é tocar nos hábitos alimentares.  “Uma alimentação de qualidade desde a primeira infância vai fazer uma nova geração mais saudável”, conclui.

Link da matéria completa: http://migre.me/iCroJ


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Escolinha Walita, 1a fase: Cozinhando um mundo melhor

Por: Mayra A.

É com muito orgulho que apresentamos aos nossos leitores os vídeos das aulas deste importante projeto de Educação Alimentar, que busca, acima de tudo, melhorar os hábitos alimentares das próximas gerações.

Aula 1: Aproveitando integralmente os alimentos

Aula 2: Reaproveitando os alimentos

Aula 3: Cozinhando com os alimentos locais e da estação

Aula 4: Aproveitando ao máximo os recursos


Em breve faremos a 2a fase do projeto, ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL DESDE A PRIMEIRA INFÂNCIA e teremos mais vídeos para vocês!

Espero que tenham gostado!

Mayra, Thabata e Priscila


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