Blog Dican Brinquedos – 03/14

Por: Mayra A.

Brincando na cozinha
Por: Vanessa

Garantir a alimentação saudável dos filhos é um dos papéis mais importantes dos pais. Cabe a eles incentivar e ensinar os baixinhos a comerem de tudo, especialmente verduras, legumes e frutas.

No entanto, com um mundo repleto de guloseimas, nem sempre é tarefa fácil garantir que o pequeno fiquem bem alimentados. Mas há uma solução para isso: levar o baixinho para a cozinha e despertar nele um apetite mais saudável…brincando!


Já pra cozinha!
A coisa mais comum nos lares de todo o mundo é ver a criançada fora da cozinha esperando pelo café da manhã, almoço ou jantar. É como se aquele lugar onde ocorrem as transformações dos alimentos fosse proibido para esses pequenos cidadãos.

Como vimos recentemente, trata-se de um lugar perigoso quando o pequenino está sozinho. Entretanto, quando está acompanhado dos pais, ele poderá descobrir  uma série de coisas que vão abrir seu apetite para um mundo de novos sabores.

E não tem idade certa para isso, especialmente se o ato de cozinhar se transformar numa rotina familiar, destaca a nutricionista Priscila Maximino. “A criança pode se envolver no ambiente alimentar desde os primeiros meses, como, por exemplo, enquanto a mãe está fazendo um suco de laranja , ela pode brincar com a fruta”.

O fato é que pouco a pouco o pequenino vai compreendendo a importância de participar do cozimento dos alimentos  e de como essas refeicões ajudam no seu desenvolvimento. “Quanto maior a idade, também será maior a capacidade de aprendizado, desde que os conceitos sempre sejam adaptados à linguagem dela. O que não significa infantilizar o tema. Temos de deixar mais objetivo, pois assim a criança conseguirá absorver grande parte daquilo que foi ensinado”, garante a nutricionista.

De acordo com a engenheira de alimentos e chef de cozinha Mayra Abucham, para conseguir que os baixinhos se alimentem bem, elas tem de comprar essa ideia. Mas como fazer isso?

É simples: a criança tem de participar do processo e saber o que vai encontrar na lancheira ou no prato na hora de uma refeição.  “Os adultos tratam a criança como um ‘café com leite’, mas na verdade elas devem ser tratadas como crianças, ou seja, como um pequeno ser humano que pensa, tem preferências e ideias”, destaca a chef.

Aprendendo a comer
Se o pequenino não tem a prática de acompanhar a produção das refeições juntos com os pais desde ainda bebê, ao decidir implantar essa prática na vidinha dele lembre-se de não transformar este ato em algo especial. É importante que seja adicionado na rotina familiar como mais uma tarefa que farão juntos.

“O ideal não é convidar a criança para fazer um bolo no dia do aniversário dela, mas pedir para que ela coloque a mesa, tire a mesa, ajude a escolher o tempero de uma salada ou os ingredientes dela como parte de uma rotina. As pessoas precisam entender que dá para envolver as crianças nas coisas mais simples e isso é muito mais legal”, explica Mayra Abucham.

Priscila Maximino lembra que, se a inclusão deste hábito ocorrer quando ela tiver maiorzinha, esse será um processo de adaptação, diferente daquele que já cresceu nesse ambiente. Então, tenha paciência com o pequenino!

O importante disso tudo é que a participação dele na preparação dos alimentos terá um impacto positivo. “Tem o aprendizado, o vínculo com o alimento e com a família e, claro, a exposição a novos alimentos, que é um fator importante para diminuir a resistência da criança a eles”, ressalta a nutricionista.

A chef indica a montagem de uma salada como um bom início para os baixinhos principiantes na arte da cozinha. Afinal, ele pode rasgar as folhas com as mãozinhas, jogar a cenoura ralada por cima ou mesmo arrumar a salada. São coisas simples que não expõem os pequenos ao perigo do uso de utensílios cortantes e  que vai ajudá-los a se sentirem incluídos nessa tarefa.

Mas um alerta! Mamães e papais não resistam a essa ideia com medo da “bagunça ou sujeira” que a criançada pode fazer. Lembrem-se dos benefícios de tudo isso e de como esse novo projeto pode acabar em brincadeira. “Tenho certeza de que as crianças adoram ter tarefas, então se você falar: ‘olha a gente vai cozinhar mas depois vai limpar tudo’ e dar um paninho para os pequenos, eles vão adorar limpar também”, explica Mayra.

Sem enrolação
O essencial é que a inclusão dessa rotina no dia a dia das crianças aconteça de uma forma natural, sem forçá-la a participar ou a comer determinado alimento.

Outra coisa importante é evitar comparações do tipo “seu amiguinho como tal coisa, porque você não come também”. A criança deve ser respeitada de acordo com seu grau de consciência. Por isso, nada também de esconder determinado alimento dela. “A regra básica é começar apresentando os alimentos, o que não significa que a criança vai comer. Mas este é o início do processo”, ressalta Priscila.

Mayra cita o exemplo que usou com sua filha. “Ela não gosta de feijão. Então, todo primeiro dia do mês eu fazia com que experimentasse esse alimento novamente. Depois de algum tempo ela aprendeu a gostar naturalmente, sem pressão”.

E também não adianta nada tentar fazer seu filhote se transformar num sabe tudo sobre os alimentos, querendo ensinar que isso é bom para aquilo. A nutricionista diz que esse tipo de informação deve ser comedida, pois a criança tem uma certa capacidade de cognição para assimilar esses conceitos. “A ideia é usar um conceito técnico, de que aquilo vai fazer bem, desde que adequado à realidade dela como, por exemplo, se a criança já tem idade para jogar futebol, a mãe pode dizer ‘filho, se você comer este pãozinho integral, vai ter muito mais energia para fazer o gol'”, garante.

Para a nutricionista, o ideal é sempre adaptar esses ensinamentos de forma lúdica, citando exemplos. Porque, dessa maneira, a criança não será enrolada e terá mais confiança nos pais quando eles oferecerem a ela um alimento saudável.

Seguindo essas dicas, certamente, será o fim do choro e da cara feia na hora de comer, transformando as refeições numa verdadeira diversão!

Priscila Maximino é nutricionista. Mayra Abbondanza Abucham é engenheira de alimentos e chef de cozinha. Ambas participaram do quadro “Meu filho não come”, do programa “Bem Simples”, da Rede Globo.

Comentários :

Comente

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *